Qual será a profissão mais procurada em 2020, informático ou carpinteiro?

Qual será a profissão mais procurada em 2020, informático ou carpinteiro?

Toda a gente saberá programar, mas haverá procura de trabalhos tradicionais. Saiba que 8 profissões estarão a dar, ponha todas as actividades extracurriculares no currículo e desenvolva soft skills.

Em 2020, o grupo BMW vai lançar os primeiros automóveis com condução autónoma. Um quarto das necessidades energéticas da população mundial vai ser satisfeita exclusivamente através de energias renováveis, acredita a Agência Internacional da Energia. E o ambicioso Elon Musk promete aterrar uma nave tripulada por humanos em Marte pela primeira vez na História. Enquanto tudo isto estiver a acontecer, cerca de 45 mil jovens portugueses na caso dos 20 anos vão estar em busca de um lugar no mercado de trabalho. Onde é que o vão encontrar num mundo em constante mudança? Perguntas para responder agora que começa mais uma fase de acesso ao Ensino Superior.

A programação e o regresso dos carpinteiros e dos serralheiros

Uma coisa parece certa para Mafalda Vasquez, diretora-geral da MSearch, empresa internacional de recrutamento e gestão de carreiras: não, a digitalização não faz parte do futuro porque já é o presente. O que vai acontecer é que, daqui a três anos, toda a gente — independentemente da profissão que tenha — vai ter de saber programar.

 Mas há outra certeza: não são só as profissões dirigidas para o contexto tecnológico que já existem que vão sobreviver e continuar em destaque dentro de três anos. Para Mafalda Vasquez, “funções tradicionais que julgávamos em desuso vão voltar a crescer” porque “as funções técnicas vão entrar em escassez no mercado”. Em 2020, um programador pode ser tão solicitado quanto um serralheiro. E um analista de dados pode ser tão valorizado quanto um carpinteiro.

O motivo está no entusiasmo com que muita gente abandonou as profissões mais técnicas. Desde a década passada que os especialistas em recrutamento e mercado de trabalho falam de um futuro baseado nas novas tecnologias: não é que as máquinas estejam já para substituir os humanos — porque sem nós, os robôs não existiam — mas a tónica era de que só quem soubesse trabalhar com elas é que teria um futuro garantido no mercado de trabalho. Resultado: a juventude que normalmente optava por funções mais tradicionais, como ser pedreiro ou mecânico, correu toda para formações técnicas relacionadas com a evolução tecnológica.

Acontece que todos continuam a precisar de alguém que construa casa, que arranje o carro ou nos desenhe móveis. Passados dez anos, afinal, continua a haver mercado para absorver a oferta de profissionais em áreas tecnológicas, mas há pouca gente que saiba erguer uma casa ou por o motor de um carro a funcionar. Quem sabe vai, portanto, ser mais solicitado. E a urgência que temos de os encontrar é tanta que também vão ser mais bem pagos. Aliás, basta tentar encontrar um canalizador ou um eletricista hoje em dia: não só é difícil, como demora. E são já tão bem pagos quanto um especialista informático.

A tecnologia vai dominar o mercado de trabalho

Apesar disso, a tecnologia domina. De acordo com um estudo do World Economic Forum, está mesmo em curso uma quarta Revolução Industrial que “vai criar uma tempestade de mudanças em modelos de negócio em todas as indústrias”. Prevê-se que as mudanças demográficas e os avanços tecnológicos vão levar à perda de 7,1 milhões de empregos só em três anos, a maior parte dos quais ligados à administração e aos chamados “empregos de colarinho branco”.

Esta é a opinião dos mais de 350 empregadores em nove indústrias dentro das 15 das maiores economias do mundo entrevistadas pelo World Economic Forum, mas vai ao encontro da previsão de Tiago Santos, diretor-geral da Talent Search People, consultora de recursos humanos e recrutamento: “Nunca é demais destacar que há cursos que, apesar de prepararem muito bem os alunos para exercer uma atividade profissional, acumulam profissionais no desemprego. Todas as licenciaturas relacionadas com o Ensino, Direito, Geografia e Filosofia são cursos com menos saída profissional, sobretudo se pensarmos nas saídas profissionais mais tradicionais”, explicou ao Observador.

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